Todos animais que possuem um rabo já vem com sua “programação” definida de como e pra que usar tal “ferramenta”.

Os cavalos e bois espantam moscas e parasitas apenas balançando de um lado para o outro, os castores usam seu largo rabo para fixar melhor os galhos de sua barragem, os macacos se penduram, os gatos nos pedem carinho e comida. Vendo por este lado é uma ferramenta importante mas não essencial para sua sobrevivência, animais sofrem amputações diversas por brigas, maus tratos humanos e durante o nascimento seja prematuro ou deformado.

Onde o designer entra nessa?

Assim como você, eu e toda massa de designers trabalhamos com nossas ferramentas, estas que em si não são essenciais, mas ajudam um bocado.

Usamos softwares diversos para criar as peças gráficas e até mesmo expor um exemplo de como será a nova cadeira de rodas do fabricante X.
Sem estes deveríamos procurar por outras ferramentas, até descobrirmos por fim nosso rabo.

O nosso rabo ou cauda, defina aí você mesmo.

Por definição o rabo é a extensão da coluna de vários animais.
No nosso ramo alguns preferem chamar de talento, outros de dom, mas esta discussão não vai muito além pois no final se mostram somente que o esforço é a chave e que devemos continuar lutando.

Não é este o ponto, o nosso rabo é nossa extensão e possui limitação, devemos entender sua função, devemos usar esta nossa ferramenta para seguir o caminho correto assim como os animais o fazem.
Como humano posso dizer que não luto pela minha sobrevivência, muito menos pela minha visibilidade, mas sim pela minha satisfação pessoal, esta que por acaso se veio do trabalho.
Sendo assim, temos alguma especialidade e devemos continuar correndo para frente sempre, com foco, um objetivo.

Correr atrás do próprio rabo
Correr em círculos atrás do próprio rabo pode ser sinal de doença nos animais, hiperatividade, stress, nosso caso é mais uma deficiência.
Tomamos como prioridade a ferramenta, tentando compreende-la, domina-la, e ainda sentindo aquele vazio, sim aquela vontade de fazer algo maior mas sem sair do lugar. Começamos a verificar os filtros, novos brushes, tutoriais diversos, mas ainda assim não satisfeitos corremos para o computador e pedimos para que ele nos fale os segredos do programa.

Após pegar aquele maldito torrent com mais de 25GB de tamanho, 2 semanas baixando deveramos os tutoriais encarados como os segredos obscuros do programa, como se fosse um ritual de passagem para algo ainda maior. O pior de tudo é o engano, depois de dominar tais efeitos os trabalhos ainda estão sem graça, sua mãe adora, teu pai não vê futuro, e você continua correndo atrás do próprio rabo.

Será que não é hora de acordar e determinar pontos importantes? Por que o software é tão importante assim? Se um dia por acaso nossas fontes de recursos naturais para geração de energia cessem, como vamos sobreviver? Será que realmente precisamos entender todos os segredos dos programas que não passam de uma mera combinação de efeitos, agrupado com imagens ou vetores bem produzidos?

Coloque agora um copo d’agua em cima de teu monitor, tua tablet, e mentalize, o conceito é mais importante que a ferramenta.
Repita em voz alta, “eu lerei mais livros sobre a área, estudarei história, história da arte e sociologia”.

Brincadeiras a parte, encare o mundo com outro olhar, esqueça os sexos, as cores, a matéria prima, pergunte-se como tudo isso se formou e por que é assim, sem questionamento não há evolução.
Você estudante do que for, não peça para a reitoria de sua faculdade ou mesmo para o diretor de seu curso tirar a parte teórica de seu curso. Você só terá a perder com esta atitude, afinal estará se formando somente como um mero “flasheiro, photoshopeiro, illustreiro”, sem o conhecimento necessário não questionamos, apenas falamos mal e cobramos de forma indevida. Veja nosso governo atual.

Agora beba a água, hahaha.
Vamos parar de correr atrás do nosso próprio rabo? Que tal seguir em frente usando-o como  uma batuta de um maestro regendo uma bela sinfonia?
Até a próxima!

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