olhos vendadosNeste tempo de ausência por doença não tive muito no que pensar senão ver filmes e ler livros.
Distante do trabalho, de qualquer contato social, ou mesmo mídia social, notei a falta que não me faz essas coisas.

Neste lugares não há motivação suficiente, vamos para reclamar, falar mal do carro do cara ao lado, de uma briga que tivemos no busão. Mas isso nem se compara com o networking real, algo possível com cervejadas, skype, jogos online (encontrei diversos tipos de profissionais neles).
As mídias sociais nestes tempos podem ser consideradas o apaga mentes, afinal fazemos por ela somente as revoluções de sofá e não lembramos sequer de que podemos fazer algo mas não sabemos por onde começar, enquanto isso podemos ser especialistas no tema da semana no twitter e o senhor opinião formada no Facebook, onde todos são nitidamente humanos centrados, com bases fortes, princípios maravilhosos, mas que não lavam a louça quando a mãe pede.

Esta socialização por mídias massivas menos específicas terão um dia seu fim marcado? Ou teremos uma evolução da massa juntamente com a ferramenta?
Até o momento temos o Facebook como um novo ORKUT, este que prefiro muito mais pela qualidade dos assuntos que podem vir a ser moderados, fixos, temporários, fora de foco, rola trollagem, mas esta é mediada e vetada em casos extremos.
Algo que em outros lugares podemos ver uma lista de discussão imensa com respostas do tipo “vai tomar no cú” com réplicas do tipo “vai tomar no cú você”, isso em casos mais simples.
A interpretação de texto passa longe dessas mídias onde o aqui é agora, 10 segundo depois uma nova informação é gerada sobre tal assunto jogado aos leões famintos na pressa, depois de devorado o belo bife nos entregam o molho, daí percebemos que era carne de segunda.

Vejo a falta de análise dos fatos correntes, pessoas que esperam os fins, pois não precisam saber dos meios.
Cada vez mais o número de semi analfabetos que nem imaginam como nossa língua é importante e como podem mudar suas vidas.
Engraçado lembrar da minha época da escola onde ficava 5 dias por semana na biblioteca fazendo trabalhos para escola. Momento que mais me diverti, pois simplesmente ia com amigos copiar textos e discutir assuntos, junto aos trabalhos entregávamos uma conclusão em separado à conclusão do trabalho, com nossos pontos de vista diferentes sobre o assunto, já que outros poderiam xerocar os trabalhos.
Hoje ou não pedem trabalho, ou quando pedem entregam impresso algo da Wikipedia, Brasil escola, etc.
Site com trabalho prontos é o que não falta.

Em minhas conferências no skype com pessoal de diversas áreas é interessante, compartilhamos textos, pdfs, indicamos livros, com pessoas mais jovens se você achar engraçado uma questão jurídica e jogar o texto o cara pede para que resuma o texto, se ele tentar ler em voz alta sofre como uma criança sendo alfabetizada.
Podemos errar em nossos textos sim, somos humanos, mas não exageramos a ponto de escrever com gírias e erros absurdos, “o que vc ten na cabessa!” isso pra variar além dos erros era uma questão…

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Após toda indignação temos uma proposta.
Que tal uma reeducação começando por nós mesmos?
O abandono das mídias sociais me fez um bem tão maravilhoso quanto o abandono do café (por questões de saúde não tomo mais café preto).
Que tal nos revitalizarmos e mostrarmos para nossos amigos, irmãos, filhos, amantes o que é mais correto?
O correto não é dizer que alguém está errado, pois na verdade estamos num tempo de conformismo, deixamos acontecer isso, podemos fazer o inverso.
Não será necessária nenhuma ação direta sobre o governo exigindo uma educação melhor, devemos sim agir por nossa conta, este é um de nossos deveres, vemos a inconformidade e fingimos que estamos vendados.
O apaga mentes somos nós, afinal não construímos nada de bom para a sociedade, construímos somente para nós.

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