Leve em consideração o seguinte, o amor é uma dor que não se sente, o calor nos liga a cores quentes sempre que pensamos tanto no calor, como nas cores.
Então o frio pode até mesmo nos dar uma sensação térmica imaginária, quem nunca sentiu um calafrio ao pensar numa geleira ou estar preso a uma que jogue a primeira pedra.

As cores são nada mais do que a interpretação que nosso cérebro realiza sobre a luz captada direto pelos nossos olhos. Então temos aqui um exemplo simples que muitos levam como definição.
“As cores só podem ser vistas pelos olhos, logo um cego não enxerga cores e um daltônico pode ser considerado um caso especial”.

Totalmente errado dado o momento que a relação com a luz não é somente óptica como é definido em vários livros, assim como não é mecanicamente possível explicar.
O som necessita de uma mecânica para ser captado por nossos tímpanos, sendo assim é necessário choque ou constância para o som ser gerado.
Sendo assim não existe possibilidade das cores terem som?

Não, elas não produzem som, mas participam em nossa mente como se fossem. Quando uma nota mi maior é tocada por um violão a reação é diferente de um mi maior em um violino, a intensidade pode ser a mesma, mas sua reação por si só será outra.
As pessoas possuem associações a cores que definem o que elas acreditam ser. O amarelo que liga a alegria para sua maioria também desperta grande dor com a mesma intensidade.
Se você procurar ouvir um violino fazendo mi maior e ver crianças pulando sorrindo terá uma reação similar a da imagem, sendo que se colocar a imagem de um cão sendo estripado causará horror, ou ânsia. A medida é a mesma em todo caso, mas a variação é que torna especial tal definição.

Os sons e cores estão ligados diretamente aos dogmas, crença, cultura do povo local.
Músicas tristes no Brasil por exemplo são apresentadas e representadas por pessoas vestidas de preto em tom de respeito, sendo que em outros países temos o branco, ou mesmo o violeta.
Canções de amor com vermelho e preto dão mais ênfase, note que baladas românticas são sempre acompanhadas de cores fortes e quentes.

A maneira de como buscamos isso no dia a dia deve ser muito próxima do exercício de observação em pinturas, a busca de um conceito deve ser ignorada, o sentimento em relação as cores é que deve ser condicionado, lembrando que uma cor pode ter mais de um significado e que uma nota pode ter inúmeras utilidades devemos encontrar a harmonia ideal para a pintura, sentir o que o compositor gostaria de passar ali naquele substrato manchado com material químico. No caso de uma escultura o tipo de material influência muito na decisão de escrever um artigo, ou mesmo comentar sobre. A estátua do pensador pode ser colocada em várias posições relativas a sociedade em seu tempo, homens que pensam são mais sombrios e quietos do que aqueles que falam de boca aberta e vivem cada dia sem se preocupar com o próximo, da mesma forma que ele poderia estar em mero protesto contra a inteligência dos governantes, colocando como até uma pedra pode pensar diferente da sociedade que tudo aceita, nada questiona.
Essa exposição de ideias é um exercício interessante de que todos necessitam, hoje a objetividade é o cala boca de muitos que preferem se ater a uma ideia única e direta do que partir para uma pesquisa mais aprofundada, talvez o medo de se tornar um pensador ou então o medo de não concluir nenhum trabalho em tempo.
Da mesma forma que uma cor pode impactar os olhos, o som pode impactar os ouvidos, os dois podem impactar a alma e os corações.
A combinação de azul preto verde, um pouco de vermelho pode se transformar em um romance eterno de rivalidades inter realidades, assim como se tornar uma peça assustadora do cinema.

A melodia por si só, é um desencontro de notas, é uma fileira muitas vezes desengonçada, ou uma fileira feita com calma, tons, sobretons, semitons, para chegar no verde precisamos conhecer o amarelo, passar pelo lima, caminhando pelos vales sombrios de musgos chegando por fim num lago turquesa que vai se ampliando e mostrando um céu azul de infinitos tons.
A harmonia é uma unidade, todos são um só, tons com semi tons, o amarelo explode com vigor enquanto deixa de existir passando direto para um pêssego, voltando inteiro caindo em um tom poderoso e rebelde alaranjado, seguindo assim para um badalado vermelho constante e reiniciando todo o processo como um treino militar.

As cores não estão aí por estar, um grito infeliz de um folheto de odonto não é percebido devido ao maravilho vermelho que nosso inconsciente nos grita “SANGUE, DOR, CARO”, o amarelo com azul dos mercados gritando cada vez mais “SOMOS CAROS NÃO VENHA”, enquanto isso uma empresa feliz com seu vermelho e amarelo o faz pensar “Caralho que fome”, ou então te faz lembrar instantaneamente de uma piada sobre pessoas sem sucesso, um jingle esquisito, ou mesmo que seu cartão está no limite. Tudo isso são sons que nossa mente toca, que não ouvimos realmente, tudo isso realizado por cores distintas.
O inverso também ocorre quando aquela música toca na rádio e você vai no passado e vê aquela cena do seu primeiro beijo, aquela garota que lhe deu um fora por você ser uma garota também, aquele cara que te cantou naquela festa pois estava escutando a mesma música. Aquelas luzes do parque de diversões, aquele dia na praia. Tudo isso aparecem como cenas em sua mente com cores, ou seja, você vê cores sem precisar de um material real, assim como ouve sem estar mecanicamente presente durante tal evento.
Assim como pessoas morrem de amor, que não é doença, que não dói, que não é problema nosso, mas poderíamos ajudar.
As cores possuem um som, agora precisamos identificar como usar isso em nossos trabalhos, procurar entender cartazes de filmes que foram sucesso, e de filmes infelizes.
Farei não sei quando uma atualização no blog com um post sobre isso.
É mais simples do que parece, perdão pelo meu português porco, ele não toma banho faz uns dias.

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